MANAUS

'Operando naturalmente à luz do dia sem ser incomodada por ninguém', diz ativista do Greenpeace sobre invasão de garimpo ilegal no Rio Madeira


Dezenas de balsas e dragas usadas por garimpeiros para extração de ouro estão atracadas no Rio Madeira, próximo à comunidade de Rosário, em Autazes, no interior do Amazonas. Dragas atracam no Rio Madeira, próximo ao município de Autazes.
Silas Laurentino
Uma invasão de centenas de balsas e dragas de garimpeiros tomou conta do Rio Madeira, no interior do Amazonas, e gerou preocupação entre órgãos ambientais e entidades de proteção da Amazônia. Para o ativista do Greenpeace, Danicley de Aguiar, a falta de fiscalização permite o avanço da atividade ilegal.

Nós estamos vendo aqui um conjunto de mais de 300 balsas colocadas numa ponta de rio, sem licença ambiental alguma, mas operando naturalmente à luz do dia sem ser incomodada por ninguém. São 300 balsas a menos de 30 minutos de voo da maior cidade da Amazônia e elas colocam aí em risco também toda a saúde pública da região

, afirmou Aguiar.
As embarcações começaram a chegar ao local há cerca de 15 dias, quando surgiu a informação de que havia ouro na região da comunidade. Elas foram uma "vila flutuante" próximo à comunidade de Rosário, no município de Autazes, distante 113 quilômetros de Manaus.
FOTOS: Centenas de balsas e dragas bloqueiam trecho do Rio Madeira para garimpo ilegal
PRAZO DE 30 DIAS: MPF recomenda ações emergenciais para retirada de garimpo ilegal no rio Madeira
Para o ativista do Greenpeace, as imagens que mostram os barcos na região representam uma vergonha para o país, enquanto o mundo tenta buscar maneiras para conter a crise climática.

Não fazem questão de se esconder porque a retórica do governo é de apoio. Eles têm historicamente sido apoiados pelo governo e pelo governo Bolsonaro sobretudo. O governo Bolsonaro já tem dito para eles que tem licença política para atuar. Então, esse governo as ações e as omissões do governo Bolsonaro, elas têm favorecido esse tipo de ação de atividade na região e aí tem colocado a Amazônia numa espiral de destruição gigantesca

, disse.
Presença de garimpeiros assustou moradores de comunidade no rio Madeira, no Amazonas.
REUTERS/Bruno Kelly
O ativista comentou, ainda, que as atividades de garimpeiros na região do Rio Madeira costumam acontecer há anos. Segundo ele, a região costuma ser uma trilha histórica de atuação da atividade de extração ilegal.
Ainda segundo Aguiar, o Brasil precisa combater as atividades ilegais e produzir uma transição ecológica do sistema econômico, para que a Amazônia seja preservada. Ele informou que o Greenpeace deve denunciar o ocorrido para autoridades estaduais e federais.

Vamos fazer uma denúncia formalizando isso para que o estado tome providências e evite de fato que essa atividade seja exercida de maneira ilegal e comprometa a saúde pública de toda a população daquela região

, afirmou.
Dragas atracadas no Rio Madeira
Dezenas de balsas de garimpo ilegal atracam no Rio Madeira no AM
São dezenas de balsas, empurradores, barcos e todo o aparato para extração de ouro no rio, na região. Os equipamentos formam uma vila flutuante em frente à comunidade. Nesse processo de mineração, as embarcações revolvem o fundo rio, sugam o material para filtrar o ouro e devolvem a água em seguida.
A chegada das dragas assustou os moradores da região, que usam o trecho do Rio Madeira para chegar a Manaus em lanchas. O trajeto é mais curto do que utilizando a estrada BR-319, que é conhecida por estar muito deteriorada.
Órgãos investigam atividade
Em nota, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) confirmou a movimentação anormal de dragas e informou que será feito um diagnóstico apurando a real situação no local. O texto informa, também, que atividades de exploração mineral naquela região não estão licenciadas, portanto, se existindo de fato, são irregulares.
Além da mineração, o Ipaam destaca em nota que pode haver outras possíveis ilegalidades que devem ser investigadas, tais como: mão de obra escrava, tráfico, contrabando e problemas com a capitania dos portos.
O Ipaam ainda diz que está buscando informações, com intuito de planejar e realizar as devidas ações no âmbito de sua competência, integrado aos demais órgãos estaduais e federais, e informou que comunicaria o fato ao comando da Segurança Pública do Amazonas (SSP), além de pedir apoio federal para apurar a ocorrência.
Dragas atracam no Rio Madeira, perto de Autazes
Silas Laurentino
Em nota, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informa que teve ciência do caso e, nesta terça-feira (23), reuniu-se com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para alinhar as informações, a fim de tomar as devidas providências e coordenar uma fiscalização de garimpo na região.
Também em nota, a Polícia Federal informou que tomou conhecimento das atividades ilícitas que estão ocorrendo no Rio Madeira, e

juntamente com outras instituições, estabelecerá as melhores estratégias para o enfrentamento do problema e interrupção dos danos ambientais

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*Com colaboração de Alexandre Hisayasu, Luciane Marques e César Nunes, da Rede Amazônica.
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