POLÍTICA

'Nunca sofri pressão em relação a esse processo', diz à CPI fiscal de contrato da Covaxin



Regina Célia deu aval ao prosseguimento da compra enquanto outros setores do ministério apontavam irregularidades. Servidor Luis Ricardo Miranda relatou pressões nesse caso. Fiscal do contrato da Covaxin afirma na CPI da Covid: 'Nunca sofri nenhuma pressão'
A servidora do Ministério da Saúde Regina Célia Silva Oliveira, fiscal do contrato da Covaxin, negou à CPI da Covid nesta terça-feira (6) que tenha sofrido qualquer tipo de pressão dentro do ministério para liberar a compra das doses dessa vacina contra a Covid.
Ela é a fiscal que autorizou o avanço das negociações do ministério com a vacina indiana Covaxin, enquanto a área de importação do ministério constatava problemas e indícios de fraudes. Regina Célia avalizou, por exemplo, o envio pelo laboratório indiano de 3 milhões de doses na remessa inicial, quando o combinado era o envio de 4 milhões.

Nunca sofri pressão em relação a esse processo. Nunca recebi nenhuma pressão em relação a esse processo

, declarou em resposta ao relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL).
Os envios não foram concretizados e, por isso, nenhum valor foi pago nesse contrato. Há uma semana, após a denúncias virem à tona, o Ministério da Saúde decidiu suspender a contratação da Covaxin.
Ela foi questionada sobre "pressões" na contratação porque outro servidor do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, relatou à CPI e ao Ministério Público Federal ter sofrido "pressões atípicas" para liberar a importação da vacina do laboratório indiano Bharat Biotech.
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Regina Célia disse à CPI:
que não foi pressionada a facilitar a importação da Covaxin, nem pressionou qualquer outra pessoa;
que não tratou do contrato com o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias;
que não tratou do contrato com tenente-coronel Alex Lial Marinho, ex-coordenador-geral de Aquisições de Insumos Estratégicos para Saúde da pasta;
que não conversou e não conhece o coronel Marcelo Pires;
que não tratou do tema com os coronéis Marcelo Blanco da Costa e Alexandre Martinelli;
que não recebeu orientações do então secretário-executivo do Ministério da Saúde, coronel Élcio Franco, e que desconhece ingerências dele neste contrato;
que, como fiscal, manteve comunicações com a Precisa Medicamentos e recebeu ligações da empresa acerca do contrato.
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Compra da Covaxin
O imunizante é o mais caro negociado pelo governo até agora, e o contrato, suspenso na semana passada, foi firmado pelo ministério com a Precisa Medicamentos, empresa sem relação com a indústria de vacinas.
As negociações para aquisição da Covaxin são investigadas pela CPI da Covid, pelo Ministério Público Federal, pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Contas da União (TCU) - clique no nome do órgão para ler detalhes da apuração.
Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou um inquérito, a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), para apurar se o presidente Jair Bolsonaro soube das suspeitas e não denunciou o caso aos órgãos de investigação.
Fiscal do contrato, Regina Célia autorizou a compra do imunizante enquanto a área de importação do ministério constatou problemas e indícios de fraudes.
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POLÍTICA  |   23/07/2021 19h34